Você sente que seu streaming favorito piorou, que o app do banco ficou mais lento e cheio de anúncio, que a busca do Google não acha mais nada de útil, e que seu eletrônico "atualiza" para ficar pior, não melhor. Você não está exagerando, e não é impressão sua. Existe até uma palavra oficial para isso, cunhada por um escritor e ativista de tecnologia, e que já entrou para o vocabulário sério do setor: enshittification.
Como alguém que acompanha de perto os bastidores da indústria, quero te mostrar o padrão exato por trás dessa palavra, por que ele se repete em praticamente toda plataforma e aparelho que você usa, e por que isso finalmente está sendo levado a sério.
O que é "Enshittification"
O termo descreve um ciclo em três etapas que se repete em plataformas digitais e produtos conectados:
1. A empresa entrega um produto excelente para atrair o usuário.
2. Depois de conquistar a base de usuários, começa a chegar atualizações e a experiência do usuário começa a piorar, é a venda de um serviço premium, a pagina inicial das smart TV por exemplo se torna um verdadeiro Outdoor, você comprou um equipamento pra servir de outdoor pra você mesmo comprar.
3. Por fim, a empresa extrai o máximo de valor possível de todos os lados usuário, anunciante, parceiro até que sobra pouco valor real para qualquer um deles.
Esse ciclo já foi tão reconhecido que virou até prêmio irônico: em um evento paralelo à CES 2026, especificamente batizado de "Enshittification Award", ativistas de reparo entregaram o troféu simbólico para o pior produto do ano em termos de privacidade, segurança e reparabilidade.
Onde esse padrão fica mais visível hoje
Um exemplo citado no próprio evento: dispositivos de segurança doméstica que começaram como simples câmeras de porta e se expandiram para sistemas de reconhecimento facial e até torres móveis de vigilância que podem ser instaladas em estacionamentos uma escalada de vigilância que vai muito além da promessa original do produto.
Outro ponto levantado foi a enxurrada de produtos eletrônicos descartáveis alimentados por bateria, hoje apontados como uma das principais causas de incêndios em centrais de reciclagem nos Estados Unidos o tipo de "inovação" que aumenta o volume de venda, mas piora o problema de descarte que o consumidor final acaba herdando.
O jogo está começando a virar
Vamos pensar um pouco: você parcela um smartphone de R$18 Mil em até 24 vezes. No ano seguinte, ainda falta um ano para você terminar de pagar, mas a marca já lança outro modelo melhor. Por quê? Aquele não era tão bom? Ou ainda não era tão caro?
E então você fica mal consigo mesmo porque seu equipamento já está defasado. Por aqui, nós estamos acostumados a não questionar nada que vai nos sufocando, e deixamos sempre que as grandes empresas decidam por nós, tudo pela falsa sensação de conforto. Quando percebemos o 'sapo já foi conzinhado'.
O que torna esse momento diferente é que a pressão deixou de ser só de ativista de internet. Legisladores nos Estados Unidos já classificam publicamente esse tipo de prática como "cumprimento hostil" da lei quando a empresa segue a letra da legislação de reparo, mas não o espírito dela e alertam que isso tende a gerar ainda mais regulamentação, não menos.
Ou seja: quanto mais a indústria tenta contornar a pressão em vez de resolver o problema de raiz, mais lei vem por aí. O consumidor comum, que só queria um produto que funcionasse direito por mais tempo, virou sem querer o motor dessa mudança.
Agora é sua vez de se juntar a esta conversa: join the Global Conversation
Isso é maior do que um país, uma marca ou uma plataforma é um padrão que o mundo inteiro está começando a reconhecer. Ajude a gente a mapear isso:
1. Qual é o seu maior exemplo de 'enshittification' um aplicativo, plataforma ou aparelho que piorou logo depois de conquistar você?
2. Qual empresa você acha que merece o "Prêmio Enshittification" (não oficial) deste ano?
3. Você acha que só regulamentação vai resolver isso, ou a pressão de mercado sozinha pode dar conta?
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| O que é conceito de 'enshittification' |

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